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Sobre o sofrimento psíquico.

O sofrimento psíquico não é desajuste.
Desajuste supõe uma peça fora do lugar, um erro de encaixe, a existência prévia de um padrão correto. O sofrimento não erra. Ele responde. Responde onde a vida encontra seus limites, onde o desejo não cabe, onde o tempo cobra, onde a perda insiste. Não há desvio quando o caminho é impossível.

O sofrimento psíquico não é anormal.
Anormal é a promessa de uma vida sem fraturas. Anormal é exigir continuidade onde há corte, coerência onde há contradição, estabilidade onde há falta. Sofrer não é sair da norma; é tocar o ponto em que a norma falha.

O sofrimento psíquico não é ser o problema.
O problema começa quando o sofrimento cola no nome, quando vira identidade, quando passa a definir o sujeito em vez de atravessá-lo. Sofrer não é ser defeituoso. É estar implicado. É não passar ileso pela própria existência.

Sofrer não é falhar.
Falhar é não poder sofrer.