A subjetividade como intervalo
A subjetividade não é algo que se possui, nem um núcleo estável que define quem alguém é. Ela se constitui no tempo, na linguagem, nos encontros e desencontros que marcam uma vida. Não nasce pronta, nem se organiza de forma linear. Forma-se a partir do que foi dito, do que não pôde ser dito, e também do que foi escutado de maneira equivocada.
Ser sujeito não é coincidir consigo mesmo. Há sempre uma distância entre o que se vive, o que se pensa e o que se consegue dizer. Essa distância não é um defeito: é condição. É nela que o desejo se inscreve, que o conflito se mantém vivo, que o mal-estar encontra forma.
Na contemporaneidade, a subjetividade é frequentemente tratada como algo que deveria funcionar bem. Espera-se coerência, clareza, estabilidade emocional. O sujeito ideal é aquele que sabe o que quer, que se explica com facilidade e que não se demora nos próprios impasses. O que escapa a esse ideal passa a ser visto como falha, atraso ou desvio.
Mas a experiência subjetiva não se submete a esse regime. Há afetos que não obedecem à razão, escolhas que se repetem apesar do esforço consciente, sofrimentos que não encontram causa evidente. A subjetividade se manifesta justamente nesses pontos - onde a lógica do controle não alcança.
A psicanálise situa o sujeito como efeito da linguagem. Não somos senhores do que dizemos; falamos mais do que sabemos e, muitas vezes, dizemos outra coisa do que pretendíamos. É nesse excesso — nos lapsos, nos equívocos, nas repetições — que algo do sujeito se mostra.
A subjetividade também não é isolada. Ela se constitui no laço com o outro, atravessada por discursos, expectativas e ideais que não escolhemos. Cada época produz suas formas de sofrimento, seus modos de exigir adaptação, suas maneiras de nomear o mal-estar. Ainda assim, o modo como cada um responde a isso é singular.
Talvez por isso a subjetividade não possa ser totalmente conhecida, organizada ou resolvida. Há sempre um resto que escapa às narrativas prontas, aos diagnósticos fechados, às explicações completas. Sustentar esse resto não é sinal de fraqueza, mas de humanidade.
Falar de subjetividade é, portanto, falar de incompletude. Não como carência a ser preenchida, mas como abertura. É nesse intervalo — entre o que se espera de nós e o que de fato se vive — que algo do sujeito pode, enfim, ter lugar.
Ser sujeito não é coincidir consigo mesmo. Há sempre uma distância entre o que se vive, o que se pensa e o que se consegue dizer. Essa distância não é um defeito: é condição. É nela que o desejo se inscreve, que o conflito se mantém vivo, que o mal-estar encontra forma.
Na contemporaneidade, a subjetividade é frequentemente tratada como algo que deveria funcionar bem. Espera-se coerência, clareza, estabilidade emocional. O sujeito ideal é aquele que sabe o que quer, que se explica com facilidade e que não se demora nos próprios impasses. O que escapa a esse ideal passa a ser visto como falha, atraso ou desvio.
Mas a experiência subjetiva não se submete a esse regime. Há afetos que não obedecem à razão, escolhas que se repetem apesar do esforço consciente, sofrimentos que não encontram causa evidente. A subjetividade se manifesta justamente nesses pontos - onde a lógica do controle não alcança.
A psicanálise situa o sujeito como efeito da linguagem. Não somos senhores do que dizemos; falamos mais do que sabemos e, muitas vezes, dizemos outra coisa do que pretendíamos. É nesse excesso — nos lapsos, nos equívocos, nas repetições — que algo do sujeito se mostra.
A subjetividade também não é isolada. Ela se constitui no laço com o outro, atravessada por discursos, expectativas e ideais que não escolhemos. Cada época produz suas formas de sofrimento, seus modos de exigir adaptação, suas maneiras de nomear o mal-estar. Ainda assim, o modo como cada um responde a isso é singular.
Talvez por isso a subjetividade não possa ser totalmente conhecida, organizada ou resolvida. Há sempre um resto que escapa às narrativas prontas, aos diagnósticos fechados, às explicações completas. Sustentar esse resto não é sinal de fraqueza, mas de humanidade.
Falar de subjetividade é, portanto, falar de incompletude. Não como carência a ser preenchida, mas como abertura. É nesse intervalo — entre o que se espera de nós e o que de fato se vive — que algo do sujeito pode, enfim, ter lugar.